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Fábula recomendada por INRI CRISTO aos filhos que almejam trilhar o racional caminho do bom senso:

...É o caso do que anda à procura de alguma coisa e, quando a consegue, deixa-a perder-se.

— Conta-se que um grupo de macacos tinha um rei chamado Kardin. Após longos anos, caiu nas enfermidades da velhice. E, aproveitando-se disto, um mono jovem pregou a sua derrubada sob pretexto de que não podia mais governar. Os soldados o apoiaram, exilando o soberano idoso e elevaram ao trono o jovem rebelde.
— O ancião derrubado, seguindo seu caminho, descobriu, à beira-mar, uma figueira carregada, e pôs-se a comer de seus frutos. Um dos figos lhe caiu no mar e foi comido por um cágado que lá vivia. O macaco gostou do ruído que produziu a queda do figo na água, e pôs-se a jogar figos no mar.

 O cágado, que ia comendo os figos, estava certo de que o macaco os atirava para ele e, desejoso de manifestar-lhe sua gratidão, saiu da água. E os dois se abraçaram, juraram-se lealdade, e tornaram-se companheiros e amigos.

Os dias foram transcorrendo, sem que o cágado voltasse à sua família. Sua esposa, aflita, queixou-se a uma vizinha sua, dizendo-lhe:
— Temo que alguma desgraça lhe tenha acontecido.
— Não te alijas, retrucou a vizinha. Alguém me informou de que ele está numa praia, onde se fez amigo de um macaco, com o qual come e bebe, esquecendo-se de tudo o mais. Despreza-o, como te desprezou; e se conseguires destruir o macaco, com alguma cilada, faze-o. Pois assim teu marido voltará para ti.

A cágada  decidiu ficar doente. Deixou sua cor empalidecer, seu peso cair, até que a debilidade a prostrou.

Um dia, o cágado sentiu saudade da família e disse ao macaco: “Preciso visitar os meus. Minha ausência começa a ser longa.”

Ao chegar à sua morada e ver a enfermidade da esposa, perguntou-lhe: “Que houve contigo, meu amor? Que males te afligem?”

A esposa não respondeu. Tornou ele a perguntar, e foi a vizinha que acabou respondendo:
— O mal de tua esposa é extremamente grave, e o remédio é difícil de conseguir, que se pode esperar senão a morte?
— Dize-me, disse o cágado, qual é o remédio. Talvez eu o consiga.
— Nós, as tartarugas, retrucou a vizinha, conhecemos melhor do que ninguém este mal. Seu único remédio é o coração de um macaco.

Pensou o cágado consigo: “O problema é mesmo grave. Que outro coração de macaco está ao meu alcance fora o do meu amigo? Poderia atraiçoá-lo, sabendo como é duro o castigo da traição? Por outro lado, deixar minha esposa morrer não seria delito mais grave ainda e, com certeza, imperdoável?” E continuou a refletir: “Se o homem não pode conseguir as grandes coisas senão à custa das pequenas, está obrigado a sacrificar estas últimas. O direito que minha esposa tem sobre mim é o mais sagrado de todos, pois ela é minha aliada nas coisas dessa vida e da outra”.

No dia seguinte, dirigiu-se à praia, sabendo o que queria. Sua consciência, contudo, lhe repetia:
“Matar um amigo leal sem que me tivesse feito mal algum, deve ser um delito de temíveis conseqüências.”

O mono lhe deu as boas-vindas e perguntou-lhe: “Por que, irmão, tardaste tanto a voltar?”
— O que me fez demorar, respondeu o cágado, apesar da minha saudade de ti, foi a vergonha que tenho comigo, ante minha incapacidade de corresponder a teus favores e generosidade. Embora saiba que nenhuma recompensa buscas, considero que é obrigação minha retribuí-los. Em ti, impera essa fidalguia própria dos de nobre linhagem, que fazem o bem a quem nada devem no passado e de quem nada esperam no futuro; que nunca mencionam os serviços que prestaram, nem consideram terem correspondido, por mais que dêem, aos favores recebidos.
— Não fales assim, retrucou o macaco, nem sintas obrigação alguma. És tu o credor de minha gratidão. Foste tu que te antecipaste a unir tua sorte à minha, e a iniciar esta grata amizade. Não cheguei, acaso, a estes domínios, só, expulso e desprezado pelos meus? E não foi com tua companhia e cordialidade que Deus dissipou minha dor e minha desolação?
— Três coisas, disse o cágado, contribuem para firmar o afeto e a confiança entre os homens, e são o que mais se deseja dos amigos: que nos visitem; que compartilhem conosco a comida e bebida; e que conheçam nossa família, nossos filhos e nossos visinhos. Nada disso ocorreu entre nós dois, e almejo que completes com essas três coisas os favores que me tens feito, e honres minha casa com tua presença.
— O que o amigo deve procurar em seu amigo é a sua afeição. As visitas e outros contatos pertencem ao supérfluo.
— Acertaste, exclamou o cágado. O amigo não deve procurar outra coisa no seu amigo senão o afeto. Se persegue algum interesse material, merece ser rejeitado. Dizem os sábios: “O homem não deve pedir favores a seus amigos, porque assim os cansa e os afasta. Quando o bezerro mama com abusiva freqüência o leite de sua mãe, corre o risco de ver-se repelido e renegado”. Não disse o que te disse senão por conhecer a elevação de teu espírito. Por isso mesmo desejo levar-te à minha casa, que fica numa ilha cheia de árvores com frutas deliciosas. Acede ao meu pedido e monta em minhas costas, e deixa-me te conduzir.

Ao ouvi-lo falar de frutas, o macaco teve desejo de visitar a ilha e montou nas costas de seu amigo, e foram navegando mar adentro. E o cágado sentiu a enormidade do que pretendia e ia refletindo: “O que projeto fazer é uma traição e uma infâmia. Fazê-lo por minha esposa? Acaso as fêmeas são dignas de que se satisfaçam seus desejos ao preço de tamanho perjúrio? Nem elas merecem confiança, nem nos devemos deixar levar por elas. Diz-se que o ouro se prova com o fogo; a retidão do homem, com suas transações; a força das cavalgaduras, com seus ardis e artifícios”.
— Por que paraste? Perguntou o macaco.
— Estou pensando em minha esposa, respondeu o cágado. Informaram-me de que está doente e, sendo assim, como poderei receber-te com as honrarias de que és credor?
— Não te inquiete nada disso, retrucou o macaco. A amizade que sempre me prodigalizaste te libera desses cuidados.

Agradeceu-lhe o cágado e prosseguiu em seu caminho. Momentos depois, voltou a deter-se. Desta vez, o macaco teve suspeitas, e disse consigo: “Por algo se deteve. Quem sabe se seu coração não mudou? Nada é tão mutável como o coração. O varão prudente está sempre atento a tudo o que  ocorre com seus amigos, seus parentes,  seus irmãos e seus filhos, e sonda-lhes sem cansar as intenções e observa-lhes a expressão do rosto, o timbre da voz, os gestos e os movimentos. Pois todas essas manifestações são o reflexo do que ocorre no coração”.

Depois, perguntou ao cágado: “Por que te detiveste? Que preocupação se apoderou de ti?”
— Preocupa-me que venhas à minha casa e não encontres tudo a contento porque minha esposa está gravemente doente.
— Não te entregues a preocupações que nenhum benefício haverão de trazer-te, aconselhou o macaco. Pensa antes em procurar à tua esposa o médico e os medicamentos, porque dizem que o homem rico deve gastar seu dinheiro em três coisas: em beneficências, se procura a recompensa eterna; em cortejar o soberano, se aspira a uma posição neste mundo; em agradar aos parentes e à esposa, se busca a felicidade no lar.
— Disseste a verdade, tornou o cágado. Os médicos opinam que o único remédio que pode salvar minha esposa é o coração de um macaco.

“Oh, desventurado de mim! Disse consigo o macaco. A ambição na velhice é a pior conselheira. Acertou quem disse: quem se conforma com sua sorte, dorme tranqüilo e feliz; e quem não se satisfaz, vive na inquietação, no cansaço e no medo. De todas as maneiras, preciso valer-me de minha inteligência para me salvar deste perigo.”

E, assim disse ao cágado:
— E que te impediu, meu irmão, de me contares tudo isto antes de embarcarmos, para que trouxesse meu coração?
— E onde está o teu coração?
— Deixei-o na árvore, respondeu o macaco.
— Por que ?
— É um velho costume entre nós, os macacos. Quando vamos visitar amigos, deixamos guardado o coração em nossas moradas, para evitar que se suspeite de nossas intenções, desde que no coração moram todas as maldades. Se quiseres, voltemos para apanhá-lo.

O cágado recebeu com alegria o desprendimento do macaco; e, retrocedendo, transportou-o de novo para a margem. Quando atingiram a praia, o macaco saltou à terra, e imediatamente trepou na árvore. Após muito esperar, o cágado chamou-o e disse-lhe:
— Apressa-te, amigo, e traze-me o coração, que estamos demorando muito.
— Será que me consideras igual àquele asno que, ao dizer do chacal, não tinha nem miolos nem orelhas?
— Como é essa história? perguntou o cágado.

O CHACAL E O LEÃO

Disse o mono:
— Conta-se que um leão vivia numa selva, acompanhado por um chacal que se sustentava das sobras de suas caçadas.

Um dia, o leão teve sarna, e precisou permanecer em repouso.

Disse o chacal ao leão:
— Que se passa com o rei dos animais para que esteja tão mudado?
— Esta sarna que vês só será curada se me nutrir com as orelhas e os miolos de um asno.
— Conheço, disse o chacal, um asno que um lenhador traz a um prado próximo, carregado de roupa para lavar. Quando a roupa está sendo lavada, o asno é deixado livre. Espero poder trazê-lo aqui. E tu saberás extrair-lhe os miolos e as orelhas.
— Apressa-te, então, disse o leão.

Tomou o chacal seu caminho para onde estava o asno e disse-lhe: “Vejo-te muito débil e cheio de pisaduras. De que padeces?”
— Esse lenhador maldoso me mata de trabalho e me alimenta mal.
— E por que te resignas a isto? retrucou o chacal.
— Que fazer? E como livrar-me da mão dos homens?
— Conheço um lugar isolado onde abunda o pasto e onde não chega homem algum. Um leão é o rei dessa terra, o qual quer conhecer-te, assim como uma asna formosa que pasta ao seu lado. Nunca vi fêmea mais desejosa de um macho.

Regozijou-se o asno e disse: “Leva-me até ela. Mesmo que seja só para estar em sua companhia e desfrutar sua amizade, acompanhar-te-ei.”

Foram-se os dois ao lugar indicado pelo chacal. Ao entrarem na cova do leão, este deu um salto para abater o asno, mas falhou por causa de sua debilidade, e o asno fugiu.
— Que fizeste? Perguntou o chacal ao leão. Se deixaste deliberadamente escapar o asno, para que, então, mandaste-me trazê-lo? Se não pudeste abatê-lo, então estamos condenados a morrer de fome, já que o rei da selva não consegue vencer um asno.

O leão deu-se conta de que, se dissesse que tinha agido deliberadamente, o chacal o consideraria néscio; e se admitisse ter sido por causa de sua debilidade, o chacal o olharia com desdém. Assim, evitando uma resposta, disse:
— Se tornares a trazê-lo, contar-te-ei as razões que me induziram a proceder desse modo.
— Agora, disse o chacal, o asno já tem uma ingrata experiência, e não creio eu se fie em mim outra vez. Contudo, vou novamente buscá-lo e usar com ele as minhas manhas. Se voltar, dá-lhe o tempo de ambientar-se antes de abatê-lo. As oportunidades perdidas nem sempre reaparecem.

Voltou o chacal para onde estava o asno e este perguntou-lhe: “Que pretendias fazer comigo?”
— Nada que não fosse para o teu bem, respondeu o chacal. O leão precipitou-se para dar-te o abraço de boas-vindas, e se tivesse ficado, ter-te-ia apresentado à asna.

Ao ouvir estas razões, o asno, que nunca havia visto um leão, acreditou e voltou com o chacal. E o leão o abateu no mesmo instante.

Depois, disse ao chacal: “O tratamento que me indicaram me aconselha a tomar, primeiro, um banho, depois comer as orelhas e os miolos, e fazer de todo o resto um sacrifício. Cuida, pois, do asno, enquanto me banho e volto.”

Tão pronto se retirou o leão, o chacal precipitou-se sobre o asno e comeu-lhe os miolos e as orelhas, acreditando que se o leão não os encontrasse, renunciaria, por medo do agouro, a comer do que restava, ficando tudo para o chacal.

Ao regressar, perguntou o leão: “Onde estão os miolos e as orelhas do asno?”
— Não te deste conta, por acaso, respondeu o chacal, que este asno não tinha nem miolos nem ouvidos? Se o tivesse, teria ele vindo pela segunda vez, depois do que acontecera na primeira?
— É certo, admitiu o leão.

E o macaco concluiu, dizendo ao cágado: “Contei esta história para que saibas que não sou como aquele asno, que, no dizer do chacal, carecia de ouvido e de miolos. Enganaste-me, e com engano te correspondi, e pude assim pôr-me a salvo e livrar-me do erro em que incorri.”
— Acertaste, replicou o cágado. És nobre e sincero. Eu já sabia que o homem inteligente fala pouco mas sabe agir, e estuda seus projetos antes de executá-los, e reconhece os erros e neles se apóia para livrar-se deles, assim como, na mesma terra em que cai, se apóia para levantar-se.

Este é o caso do homem que se empenha em conseguir algo, e quando o consegue deixa-o se perder...

Quem divulgar esta mensagem será agraciado com bênçãos do céu.

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Adeí Schmidt
Discípula de INRI CRISTO, Brasilia
Sep 16, 2011

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